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segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Não se pode chamar um rescaldo, mas sim apontamentos que tirei ao longo do jogo da Supertaça e no fim

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Braga a deixar pouco espaço entre linhas mas suficiente para as individualidades do Benfica aparecerem

Benfica não para a construção a 3 do Braga mas compensa por não dar linhas de passe devido às duas linhas compactas que apresenta depois em 4-4-2. O Braga só flui o jogo devido a Boly, a subir bem e com grande visão de jogo e qualidade de passe.

Construção do Benfica ainda com muitos jogadores atrás da linha da bola. Muito bem Horta a ir pedir. Os dois avançados do Braga pressionam Luisão e Lindelof. Interior a pressionar Fejsa, sendo necessário que Horta desça para pedir.

Muita mobilidade no ataque do Benfica. Laterais muito profundos e a definirem bem. Percebem as dinâmicas com o extremo. Quando um oferece jogo interior, outro abre na linha. Avançados complementam os seus movimentos. Jonas em apoio a aparecer muito bem entre linhas e a conseguir combinar com extremo e lateral em rutura. Mitroglou a desaparecer devido à falta de jogo aéreo, o que até é bom, mas assertivo na decisão, percebendo as suas limitações e a dar simples.

A partir da segunda metade do primeiro tempo, o Braga cresceu pela mudança de sistema, que encaixou no do Benfica. A partir daí, os encarnados tiveram mais dificuldades porque não abdicaram daquilo que Rui Vitória queria, que era bola pelo chão e saída controlada. Os comentadores chegaram a referir o facto de RV ter ficado furioso com Luisão por jogar pelo ar. O SLB não abdicou da sua vertente de construção, o que até favoreceu o Braga. O Benfica só conseguiu construir mais quando o 8 dos minhotos deixou de pressionar Fejsa e assim os dois avançados Bracarenses não conseguiam parar a construção dos dois defesas e trinco do SLB, libertando Horta para zonas mais avançadas.

Segundo golo do Benfica é fenomenal. Jonas mete em Pizzi que fica enquadrado para a última linha. Estando o português enquadrado, Jonas explora a profundidade, realizando o movimento contrário ao da defesa. Erro do Braga quando saíram dois jogadores para a contenção e falhou a linha de cobertura, e os jogadores atrás estavam desorganizados, deixando em jogo o avançado do SLB. 



Bom controlo da profundidade do Braga.

Grimaldo e Cervi formarão a faixa esquerda mais perigosa deste campeonato. Criativos, qualidade técnica e de decisão e com os timings certos, ora para progredirem ora para pausar, sempre em alta rotação a complementarem os seus movimentos, dando opções à equipa em largura e em jogo interior. Criam fora e dentro do bloco, as tal não significa cruzar quando estão na linha. Bola pelo chão, sempre encostada ao pé. Difíceis de parar pela agilidade e pelo movimento, serão certamente figuras da liga e um exemplo do futebol moderno.


Ainda com muito trabalho para a frente para o SC Braga. Sente-se as deficiências táticas, principalmente nas coberturas e equilíbrios mas nada que não se trabalhe. Tem um grande treinador que fará crescer a equipa e será uma grande aposta deste projeto muito interessante levado a cabo por António Salvador. Grande escolha dos treinadores por parte deste presidente.

Um Benfica muito interessante como referi antes. Grandes jogadores. A atacar muito móvel e com grande criatividade individual e coletiva. A defender muito compacto num 4-4-2  bem definido e com a defesa bem subida. A contenção já surge muito mais rápido e há uma boa transição à perda. Muitos jogadores a ir para a zona da bola e aquela falta depois da primeira linha ultrapassada já acontece com mais frequência.

Mais notas positivas:

Jonas - é preciso dizer muito? 
Nélson Semedo - também em alta rotação, a progredir tendo em vista a baliza, forte a atacar o espaço entre linhas, tanto em posse como em passe. Combina muito bem com os colegas e tem tudo para fazer uma grande época.
Pizzi - continua o mesmo das épocas passadas. Devia ter jogado com o título europeu no currículo pela sua qualidade. Inteligente, sempre de cabeça levantada. Não é forte em condução nem no 1 para 1 mas compensa com a visão de jogo e qualidade de passe. Majestosa assistência para o golo de Jonas, coroando a sua exibição com uma finalização enorme.
Horta - a pedir sempre bola atrás da linha média mas a recuar quando o contexto assim o pede, para pegar no jogo. Criativo, tecnicista e um box to box que funciona muito bem neste Benfica.
Lindelof - mais do mesmo. Dos melhores a nível europeu. A progredir, fixar e soltar no momento certo, a construir fora da caixa.



Pedro Santos - muito bom jogador que pode jogar em várias posições do meio campo para a frente. Qualidade técnica e de decisão acima da média e com criatividade, estando bem adaptado ao contexto da liga e do Braga.
Rafa - nem o desgaste físico inibiu-o. Bola colada ao pé, uma arma muito forte na transição ofensiva. A progredir para a baliza, recebendo fora ou dentro. Difícil de parar estando enquadrado entre linhas.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Aposta no campeão alemão: Borussia Dortmund

O modelo de Tuchel é incrivelmente melhor do que o de Ancelotti. No ano passado, só careceu de melhorias defensivas mas que podem ser colmatadas este ano, se é que ainda não foram. Futebol ofensivo excelente com várias linhas de passe para dar imprevisibilidade ao jogo. Transições de qualidade, a pôr muita gente nos sítios certos no momento de recuperação ou perda da bola. A filosofia é a mesma para todos e o jogo é percebido. Jogador enquadra, todos na profundidade. Jogador de costas, os apoios chegam.


A nível de destaques individuais mas já chegaram reforços de peso que podem não ser melhores mas preenchem as lacunas com qualidade.

Bartra: pode vir a ser o primeiro avançado da equipa. Culto e com classe, a dobrar os colegas e a dar coberturas e equilíbrio com um bom controlo da profundidade.
Raphael Guerreiro: muito bom defensivamente e atacar também. progride em tabelas. Dá e recebe à frente e percebe onde se colocar ofensivamente em função do contexto. Grande qualidade técnica.
Gonzalo Castro: destaca-se sobretudo pela qualidade em fazer a bola chegar a zonas de criação, seja ele próprio a fazê-lo ou com passes verticais. Bom defensivamente.
Ousmane Dembélé: boa qualidade técnica. Ainda falha na decisão mas nada que não se resolva com o tempo. Tem a rebeldia e procura da bola que se pede. Ainda por explorar.
Schurrle: excelente a explorar a profundidade e destaca-se pelo grande timing de desmarcação. Qualidade técnica de assinalar.
Emre Mor: bola colada ao pé. Um pouco ao estilo de Gauld e de Messi (só no estilo porque ainda só vai no potencial). Criatividade e grande tomada de decisão.
Kagawa: rápido e excelente com os passes de rutura e a tirar adversários da frente com um simples passe, seja de costas ou de frente para o jogo.
Gotze: mais do que conhecido. Qualidade técnica, a criar com e sem bola. A atrair, fixar e soltar e forte a aparecer em zonas de finalização. Voltará? Aposto que sim.
Aubameyang: forte a perceber o contexto do jogo quando se trata de pedir a bola, ora na profundidade a arrastar defesas, ora entre linhas a soltar e a criar desequilíbrios. Forte na desmarcação e a finalizar de qualquer maneira. Será mais um lutador pela Bota de Ouro.
Reus: criatividade, rapidez. Define bem, progride, fixa, solta. Muito bom.


domingo, 24 de julho de 2016

Jovens #7- Callum Gribbin

Mais um jovem médio do Manchester United nesta rubrica. Alto mas com técnica e visão de jogo acima da média, capaz de comer metros no campo em tabelas. Não muito agressivo mas inteligente até nos desarmes em situações 1*1. Não pede entre linhas. Pede na linha e vai para o meio, capaz de perceber as movimentações dos adversários e os defesas que se arrastam. facilidade para jogar com os dois pés, ajudando ainda mais no drible, sendo ainda mais imprevisível. Não cruza e prefere idealizar uma maneira de chegar em posse à área. Muito bom nas bolas paradas. Facilidade em sair a jogar. Tanto constrói como cria. No post anterior podem ver Sean Goss, outro médio promissor da sua equipa.

Jovens #6 - Sean Goss

Médio do Manchester United. Pode jogar em todas as posições do meio campo pelas suas características. Tomada de decisão, drible fácil. Talvez a abusar um pouco no passe longo pela notoriedade que dá, mas fá-lo com qualidade e consegue dar algo à equipa. Criatividade nas zonas de criação a conseguir tirar adversários da frente, ora em condução, ora em tabelas a conseguir resolver os problemas da equipa. Remate fácil. Consegue chegar facilmente a zonas de finalização e ter a inteligência de procurar o melhor espaço. Fintas simples mas a perceber o que é melhor para a equipa. Prefere o "nós" ao "eu". Percebe que é mais fácil tirar adversários da frente com tabelas do que forçando o um para um, embora consiga fazer isto quando o contexto assim o pede. Falhas no timing fixa-solta mas que podem ser melhoradas com a experiência e com a competitividade. Bem nas coberturas defensivas. Grande futuro deste miúdo...

sábado, 23 de julho de 2016

A final de Sissoko

Resultado de imagem para sissoko vs portugal24 decisões erradas contra 16 acertadas. Moussa Sissoko é um monstro físico, capaz de queimar linhas em posse. Mas sempre que chega a hora de passar a bola, revela uma incapacidade total de ler o jogo, não consegue levantar a cabeça e não percebe o que está à sua volta. Não faz nada no timing certo. Deixa muitas vezes o lateral em más condições e é incapaz de lhe dar linha de passe e cobertura ofensiva. Erros técnicos e de decisão que lhe impossibilitam de dar seguimento aos lances que conseguiu criar. Prefere ir contra o adversário e tentar a sorte de ganhar o ressalto do que fixar e soltar. Muito fraco a fixar a defesa em zonas de criação, o que faz com que não solte na melhor maneira. Decisão muito tardia, incapaz de atrair algum adversário, seja com bola ou sem bola. Prefere a notoriedade de um remate forte de fora da área a um passe que deixe os colegas aproximados do sucesso. Cruza com a equipa sem ninguém na área e opta por não o fazer quando tem 5,6 jogadores depois de um canto. Incapaz de tirar a bola da zona de pressão. Não constrói bem porque com pouca pressão não faz passes verticais nem mete a bola entre linhas, limita-se a rodar o jogo. A pedir a bola sempre fora, e raramente conduz para o meio. E quando faz não sabe aproveitar os desequilíbrios que provoca. Note-se que as situações em que decidiu bem, jogou sempre simples sem qualquer tipo de risco. Não é propriamente mau mas se fizesse sempre isto não passava da banalidade, tal como acontece agora. Sissoko devia aproveitar aquilo que provoca com o porte físico. Mas se nem levantar a cabeça consegue, que é um movimento básico ensinado às crianças desde cedo, dificilmente decidirá bem, juntamente com erros técnicos que não lhe conferem um bom timing decisão-execução, desperdiçando boas oportunidades. Tomada de decisão também é timing, também é decidir com que força vai a bola, no chão ou pelo ar, no espaço ou no pé. E Sissoko nunca vai conseguir fazer isso e é triste que seja apontado ao Real Madrid ou à Juventus, para substituir Paul Pogba. Não constrói, não cria,não dá cobertura, não dá equilíbrio...

terça-feira, 19 de julho de 2016

Vem tarde mas espero que ainda seja a tempo: o meu onze do Euro 2016

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Rui Patrício: imperial na sua zona onde foi uma das pedras basilares da conquista lusa do Euro 2016. Sempre muito atento a controlar tudo. mais forte entre os postes do que adiantado, mas até aí teve bons pormenores. A jogar com os pés tem crescido imenso.

Florenzi: teve liberdade devido ao sistema e ao modelo táticos desta Itália. A atacar não se limita a oferecer jogável, mass sim, a ver algo mais. A defender não compromete.

Bonucci: no mundo, melhor que ele só Hummels. Excelente em todos os momentos defensivos, a perceber o contexto. Na contsrução é dos melhores porque oferece sempre algo fora da caixa à equipa.

Hummels: uma pérola este central alemão. Dos melhores de sempre na sua posição. O mesmo que Bonucci, mas com um upgrade. A confirmar isto neste europeu.

Raphael: muito competente a defender, confortável na defesa zonal. A atacar oferece muito, progride em tabelas, e só força o 1*1 quando é a melhor opção. Jogador revelação? Não!!! Já era uma certeza.

Modric: mais uma prova de que não é por se ter grande poderio físico que se pode jogar no meio campo defensivo. A participar na construção e na criação. Excelente a retirar da pressão quando o contexto assim o pede. A jogar em espaços curtos, seria excelente ver dois Modric´s: um perto e outro longe da baliza.

Iniesta: é preciso dizer alguma coisa?

Nani: talvez a maior "surpresa" deste onze. Na minha opinião, foi a sua grande fase final. Excelente a temporizar e a entregar nos seus colegas , aproximando-os a eles e a equipa ao sucesso. Tapado por Ronaldo, mas mesmo assim esteve lá e foi uma arma em todos os momentos ofensivos. Dos mais constantes da nossa seleção.

Bale: o galês entra na minha lista sobrevalorizados do blogue mas fez um Europeu acima do que eu esperava. Não se limitou a usar a força e a jogar pelo ar e percebeu aquilo que era melhor para a sua seleção, débil a nível individual. Muito assertivo  e mesmo assim teve golo, o que é melhor para perceber que este é o caminho.

Griezmann: o melhor francês, e para mim, será a par de Ronaldo e Messi, candidato à Bola de Ouro. Qualidade técnica, decisão e execução excelentes.

Ronaldo: melhorou no Euro quando percebeu que não tinha de fazer tudo e que era útil quando aparecia mais perto da baliza a jogar simples. Não limitou as decisões dos seus colegas como quando levantava a mão para pedir a bola. Veremos se percebe que este é o caminho. Para se perceber esta mudança, veja-se que não quis ser o último a bater a grande penalidade para ficar na história do jogo e optou por bater em primeiro lugar. Aquela final diz tudo...